A expansão do acesso à educação básica e ao ensino superior registrada nas últimas décadas no Brasil não veio acompanhada, no mesmo ritmo, da qualificação profissional necessária para atender às transformações digitais e ambientais da economia global. O alerta faz parte de um estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI).
Intitulado “Uma Revolução na Educação Brasileira: Propostas para uma agenda STEM integrada da base ao ensino superior”, o documento aponta que o país convive com um cenário de escolaridade insuficiente em termos de aprendizagem efetiva, o que compromete a formação de mão de obra qualificada em áreas estratégicas como Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês).
Desafios na Educação Básica e na Formação Profissional
De acordo com a análise técnica da CNI, os reflexos dessa defasagem aparecem em avaliações internacionais de desempenho escolar, que evidenciam dificuldades recorrentes dos estudantes brasileiros na compreensão de leitura, raciocínio lógico e competências científicas básicas. Especialistas ouvidos pela entidade ressaltam que processos modernos de automação industrial, adoção de inteligência artificial e exigências de transição verde dependem diretamente de trabalhadores capacitados para operar, manter e aprimorar recursos tecnológicos avançados.
“O avanço tecnológico exige uma base sólida de conhecimentos que começa nos primeiros anos escolares e precisa ter continuidade nas redes de ensino técnico e superior”, aponta o relatório, reforçando que gargalos na formação básica limitam a capacidade de absorção de inovação pelas empresas instaladas no país.
Convergência com Indicadores de Inovação
O diagnóstico da indústria dialoga com dados recentes do Índice Global de Inovação (IGI), que manteve o Brasil na segunda colocação na América Latina e Caribe, mas destacou persistentes barreiras na colaboração em pesquisa e desenvolvimento (P&D) entre universidades e o setor produtivo. Enquanto o país demonstra força no tamanho de seu mercado interno e em indicadores gerais de resultados criativos, a conversão desse potencial em produtividade em larga escala ainda esbarra na escassez de talentos especializados.
Para reverter o quadro, o documento da CNI defende a consolidação de políticas públicas transversais que unam o Ministério da Educação, o setor empresarial e instituições científicas em torno de metas claras para o fortalecimento do ensino de ciências e matemática, apontado como pré-requisito indispensável para a competitividade de longo prazo da economia brasileira.
Jornal Grande Bahia / CNI






