As exportações da agropecuária brasileira registraram um avanço expressivo de 21,7% na média diária até a segunda semana de outubro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados preliminares foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e evidenciam a resiliência do campo frente ao cenário macroeconômico global.
No acumulado geral da balança comercial brasileira para o mês até o período, as exportações totalizaram US$ 12,99 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 9,51 bilhões. O saldo positivo — ou superávit comercial — atingiu US$ 3,48 bilhões, refletindo a manutenção de um ritmo robusto de escoamento de commodities para parceiros comerciais tradicionais, com destaque para a Ásia e o bloco europeu.
Destaques por produtos e impacto nos mercados
Dentro da pauta agropecuária, o principal motor de expansão no valor médio diário exportado foi a soja, que apresentou alta de 26%. Além do grão, o segmento de animais vivos (excluídos pescados e crustáceos) chamou atenção ao saltar 311,2% em termos de média diária no comparativo anual. Na indústria de transformação associada ao setor de alimentos, as vendas de carnes de aves e miudezas comestíveis cresceram 46,8%.
Especialistas em comércio exterior apontam que, embora o volume físico de algumas commodities enfrente oscilações pontuais devido a calendários de safra e barreiras sanitárias em mercados específicos — a exemplo de cotas e tarifas na Europa e na Ásia —, a receita gerada continua sustentando os resultados globais da balança comercial do país ao longo de 2026.
Contexto e perspectivas para o final do ano
O desempenho consolida o papel estratégico do agronegócio na formação de divisas para o Brasil. No acumulado de janeiro até a segunda semana de outubro, o superávit comercial brasileiro já soma US$ 65,88 bilhões, alta de 34,6% sobre o intervalo correspondente de 2025. O fluxo reforça as projeções de que o país se mantém competitivo nas cadeias globais de suprimento de alimentos, apesar dos desafios atrelados à volatilidade climática e aos custos logísticos internos.
A execução dos contratos e o ritmo dos embarques nos próximos dois meses serão determinantes para consolidar os números do fechamento do ano. Produtores e tradings agora voltam as atenções para as janelas de escoamento da próxima safra e para as exigências normativas internacionais, que continuam ditando o padrão de exigência de qualidade e sustentabilidade para os produtos do campo brasileiro.
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)








