Fachada do Banco Central do Brasil em Brasília

Brasil encerra jejum de 19 anos e volta a registrar dívida externa líquida maior que reservas, aponta Banco Central

Levantamento do Banco Central indica que o Brasil encerrou um ciclo de 19 anos como credor internacional líquido, refletindo o cenário das contas externas e da dívida bruta.

O Brasil encerrou uma sequência histórica de 19 anos consecutivos como credor internacional líquido. Dados oficiais consolidados pelo Banco Central e repercutidos pelo setor econômico indicam que a dívida externa líquida do país ficou positiva em US$ 5,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, marcando uma mudança estrutural nas contas externas brasileiras. Com o resultado, o país passou a dever ao exterior um montante superior ao total de suas reservas internacionais e ativos externos líquidos considerados no cálculo oficial.

A virada de patamar encerra um ciclo de resiliência que havia atravessado momentos críticos da economia global e nacional, como a crise financeira internacional de 2008, a forte recessão de 2014 a 2016 e os impactos econômicos decorrentes da pandemia de Covid-19. Historicamente, o país acumulava uma posição líquida de credor, o que garantia colchões robustos de proteção cambial e financeira diante de choques externos.

Segundo as estatísticas divulgadas, a dívida externa bruta do país somava US$ 407,1 bilhões no encerramento de junho de 2026, enquanto as reservas internacionais se mantinham em patamares fundamentais para a sustentabilidade do balanço de pagamentos. A dinâmica reflete a pressão contínua dos déficits em transações correntes, a evolução dos serviços e rendas e o comportamento das contas públicas e privadas frente ao mercado internacional.

Impactos e contexto econômico em 2026

Especialistas e agências de classificação de risco apontam que o cenário fiscal e monetário doméstico, combinado com um ambiente global de juros restritivos — com a taxa Selic em patamares elevados para conter pressões inflacionárias —, impõe desafios adicionais à gestão macroeconômica do país. Organismos multilaterais e analistas do mercado financeiro têm destacado que o próximo ciclo exigirá rigor fiscal e cautela no equacionamento das contas públicas, independentemente dos rumos políticos decorrentes do calendário eleitoral.

Apesar da alteração na posição líquida, o Banco Central mantém o monitoramento constante do setor externo por meio de suas estatísticas oficiais e relatórios periódicos, buscando assegurar a transparência sobre a solvência e a liquidez da economia brasileira perante os mercados globais.

Banco Central do Brasil / Gazeta do Povo

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Redação Portal em Dia

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