O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá registrar uma desaceleração nos próximos anos, com expansão estimada em 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027, após um avanço de 2,3% em 2025. A projeção consta no relatório anual Trade and Development Report 2026, divulgado nesta sexta-feira (9) pela Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).
De acordo com o documento da agência da ONU, o freio na atividade econômica brasileira decorre principalmente da persistência da inflação e de um processo de afrouxamento monetário em ritmo mais lento do que o projetado inicialmente, cenário agravado por choques externos de energia decorrentes de conflitos geopolíticos no Oriente Médio. O relatório coloca o Brasil entre as economias que mantiveram taxas básicas de juros em patamares elevados para conter pressões inflacionárias, o que encarece o crédito e desacelera o consumo financiado das famílias.
Resiliência do consumo e do agro
Apesar das amarras impostas pela política monetária restritiva, a Unctad aponta que a economia nacional mantém bases de sustentação importantes. O consumo interno das famílias, o investimento privado e o desempenho robusto das exportações agrícolas continuam a amortecer perdas mais acentuadas de ritmo, mantendo o país em trajetória de crescimento positivo, ainda que moderado.
Para a economia global, o órgão das Nações Unidas projeta altas de 2,6% em 2026 e 2,7% em 2027, patamares modestos, mas que superam simulações pessimistas formuladas diante de gargalos logísticos internacionais e da volatilidade nos preços internacionais do petróleo.
Protagonismo no Sul Global e internacionalização do Pix
Além da conjuntura macroeconômica, o relatório da Unctad dedica espaço para analisar transformações geoeconômicas de médio prazo. O documento classifica o Brasil como um ator de peso estratégico entre as economias do Sul Global, funcionando como uma âncora regional em meio a alterações nas cadeias de suprimento e no comércio internacional.
Nesse contexto de inovação e integração financeira, a agência destacou o avanço da exportação de tecnologias de pagamento desenvolvidas no país, mencionando o processo de internacionalização do Pix. O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos já conta com integrações operacionais em países vizinhos como Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai, além de negociações em andamento com outras jurisdições.
As projeções da ONU servem de parâmetro para análises de agentes de mercado, formuladores de políticas públicas e organismos multilaterais que acompanham os desdobramentos fiscais, monetários e estruturais do Brasil ao longo da segunda metade da década.
Agência ONU / Relatório Unctad








