A atividade industrial brasileira aprofundou sua contração no mês de setembro de 2026, atingindo o nível mais baixo em quase três anos e meio. De acordo com os dados do Índice de Gerentes de Compras (PMI), divulgados nesta quinta-feira (1º) pela S&P Global, o setor enfrentou um forte enfraquecimento da demanda, pressões competitivas acentuadas e um ambiente de negócios desafiador agravado pela incerteza política da reta final das eleições presidenciais.
Queda expressiva nas condições operacionais
O índice principal da indústria caiu para 44,8 pontos em setembro, ante 46,3 pontos registrados em agosto. Como a marca de 50 pontos separa o território de crescimento do de contração, o resultado aponta para a maior deterioração das condições operacionais desde abril de 2023. Com esse desempenho, a média do terceiro trimestre fechou em 46,2 pontos, marcando o patamar mais fraco para o período desde o mesmo intervalo de 2023.
Os dados mostram que a retração da produção industrial completou o quinto mês consecutivo de queda, com um ritmo de enfraquecimento que não era visto de forma tão intensa desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020. Os participantes da pesquisa apontaram que a escassez de novos pedidos e a cautela generalizada por parte dos consumidores e varejistas impactaram diretamente o fluxo de caixa das fábricas.
Fatores de pressão e expectativas futuras
Além da demanda interna debilitada, o ambiente operacional foi fortemente influenciado pelo aumento nos custos de insumos e matérias-primas, o que reduziu as margens de lucro das empresas. Especialistas do mercado financeiro destacam que o clima de expectativa em torno do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 elevou a cautela corporativa, fazendo com que planos de investimentos e expansão fossem temporariamente congelados.
Apesar da forte retração observada no mês passado, o levantamento da S&P Global apontou um aspecto positivo isolado: o índice de confiança empresarial para os próximos 12 meses registrou melhora em relação a agosto. Esse otimismo moderado está ancorado na expectativa de que as incertezas políticas diminuam após o pleito eleitoral, abrindo espaço para uma recuperação gradual das condições macroeconômicas e do consumo interno no final do ano.
Cenário macroeconômico e o radar dos mercados
A desaceleração da indústria corrobora as projeções recentes revisadas por órgãos governamentais e instituições financeiras, que apontam para um ritmo mais moderado de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo de 2026, sob o efeito prolongado de uma política monetária contracionista e juros em patamares elevados. Analistas econômicos ressaltam que o comportamento da atividade industrial nos próximos meses dependerá fundamentalmente da estabilização fiscal e das diretrizes econômicas que serão delineadas após a definição da disputa eleitoral no país.
Reuters / S&P Global








